terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Ainda sobre a memória...

Depois de várias conversas com amigos, colegas e afins, tenho reparado num padrão que eu próprio reconheço nas minhas tentativas de relembrar certos acontecimentos:
não se consegue colocar de imediato uma determinada acção no tempo e espaço, mas conseguimos uma espécia de visualização imaginária do mesmo, uma espécie de "pré já vu". Lugares, nomes, temperaturas, cheiros, cores, formas, sons, luzes, ambiente, paisagens, sentimentos e todas as associações possíveis entre todos estes ítens, são de difícil especificação, assemelhando-se a memória a um lago de reflexos do que propriamente a uma biblioteca de ficheiros bem ordenados.



quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Na continuação da representação de memórias...





Deixo mais alguns exemplos de memórias... embora algumas sejam mais fortes do que outras, não deixam de ser ou fazer parte do léxico de imagens que guardamos.

quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Retratados... descubra as semelhanças.

É inevitável fazer-se as comparações entre o objecto retratado e a imagem e as opiniões têm mais cambiantes do que uma paleta de cores impressionista!
E independentemente do que se possa dizer, justificar, argumentar ou apelar, essas opiniões persistem e o artista ora é elevado, ora é rebaixado, dependendo da opinião e valor de cada "comparação". É nestas alturas que aparecem os críticos de arte de última hora, com o comportamento tão português do grupo de senhores de mãos nos bolsos à volta de um único trabalhador e a comentarem "se fosse eu, não fazia assim"e de repente são todos "ingenheiros"...
Mas, arriscando-me ao escrotíneo popular, aqui vão umas tentativas de semelhanças... mas garanto-vos que, de espírito, são iguais aos seus reflexos "reais"...





quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Retratos...

A cada dia que passa, ou melhor, a cada momento em que estou acordado apenas tenho em mente pintar "mais um retrato", apenas mais um... tem sido assim desde que comecei a "imprimir"as minhas memórias em pequenas telas, "post-it" da mente que ilustram as recordações que por aqui flutuam...
Aqui fica mais uma dessas... memórias.

quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Sobre memórias...

Pois é, memórias... não se cheiram, não se tocam, não se ouvem, não se provam, mas são tão ou mais reais do que o noticiário na televisão ou a ida ao supermercado comprar pão e duas laranjas... ou seja, os acontecimentos, pessoas, cheiros, sabores, texturas, medos, alegrias, enfim, marcas que foram impressas na nossa memória que servem para nos alertar para o mundo conhecido, reconhecer situações e lidar com as mesmas...
Neste momento estou a trabalhar um projecto sobre memórias... pessoas e situações que me marcaram, bem ou mal, mas que lá estão...


quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Sobre o corpo...


Ainda há pouco tempo me perguntavam se eu era fetishista ou se gostava particularmente de mulheres gordas... para quem acompanhou a minha pintura, sabe do que estou a falar, para quem não tem acompanhado, tenho algumas séries de pintura onde exploro a linguagem corporal de uma mulher gorda... e a que porpósito?

Eu entendo que o corpo é mais do que aquilo que se mostra, é também o que fazemos dele e com ele e para ele. De alguma forma, independentemente do nosso estado volumétrico, temos capacidades sedutoras tão equivalentes às repelentes, ou seja, penso que de acordo com o nosso comportamento e atitude podemos desiquilibrar a balança de atracção/repulsão física (mas que na verdade é apenas mental).

Todas as texturas, tons, cores, sombras, volumes, perspectivas têm um interesse específico no tratamento do corpo... que poderá levar-vos a uma viagem entre o "nem te atrevas a pintar o meu retrato" até ao "era tudo para mim que me pintasses"...

sábado, 22 de Novembro de 2008

"Arte Lisboa ou LisboArte, é à escolha do freguês"



"Mais uma volta, mais uma ficha, criança não paga mas também não anda"...
Parece-me ser este o mote da última edição que ainda decorre da Arte Lisboa, pelo menos para os participantes.
Só se fala da crise, não há résteas de esperança ou positivismo... eu digo "que se lixe a crise pá, vamos é rir um bocado e olhar mais para a frente e ter cuidado com as cacas de cão no passeio".

sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

De volta às origens...

Uma parte do meu percurso académico foi vivido na ilha da Madeira, no Instituto Superior de Arte e Design da Universidade da Madeira, onde frequentei até ao 3º ano e onde conheci dos melhores professores que alguma vez tive a sorte de ter.
Nesse período experimentei várias áreas, tecnologias, técnicas e materiais, mas uma delas deixou imensas saudades: a escultura!
E eis-me de volta a esse universo mas com propósitos mais definidos (a minha linguagem e identidade artística)... deixo-vos a minha primeira experiência escultórica após 11 anos sem meter as mãos no barro.







quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Il Fantasma Dell'Opera

Este foi o texto introdutório para a exposição que tive no passado mês de Setembro...

"O Fantasma da Ópera foi escrito para ser representado por um homem. O personagem de Erik, esse espírito atormentado e deformado, é revelado à medida que a peça de contornos góticos se desenrola, exigindo a atenção e a submissão de todos, sob pena de serem vítimas da sua ira. Igualmente presa a esta vontade do espectro está Christine, por quem o
Fantasma se apaixona.
O ciúme, o desejo de possuir, a ira e os esquemas, todas estas características são vestidas pelo personagem masculino do Fantasma, enquanto que a Christine está reservado o papel de frágil,
encantadora e inocente, a quem são exigidas decisões difíceis entre a eterna batalha do amor com o dever.
Com a emergência da mulher enquanto sexo mais forte, a sua emancipação, o sexo feminino deixou de ser visto, na sociedade dos dias de hoje, daquele modo unidimensional, passando a ter a possibilidade de ser alguém convincentemente obtuso, manipulador e desejoso de poder.

Assim, o que aconteceria se o Fantasma se revelasse, afinal, ser uma mulher?"

Texto por Leonor Calaça.




Sem título
160 cm x 130 cm
Acrílico sobre tela
2008


Sem título
190 cm x 130 cm
Acrílico sobre tela
2008


Sem título
190 cm x 130 cm
Acrílico sobre tela
2008


Sem título
190 cm x 130 cm
Acrílico sobre tela
2008

segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

"Beyond the aesthetic" por Robert Motherwell, 1946


"The activity of the artist makes him less socially conditioned and more human. It is then that he is disposed to Revolution. Society stands against anarchy; the artist stands for the human against society; society therefore treats him as an anarchist."